Dois iPhones por pessoa e sem pagamento em dinheiro. Quo vadis Apple?

Recentemente a Apple mudou a sua política de vendas de iPhones nos EUA. Não aceita dinheiro, apenas cartões de crédito e limitou o número de unidades por comprador a apenas duas:

apple-agreement.jpg

Ora, já há alguns meses que me tenho intrigado sobre algumas opções recentes da Apple. A diferença de tratamento de ficheiros em formato mp3 e de ficheiros divx por exemplo, consoante interessa à prossecução de um determinado modelo de negócio (relativamente aberto no caso da música, completamente fechado na parte do vídeo). As alterações subreptícias nos termos do FairPlay, misturadas com updates essenciais ao iTunes. A falta de acesso de developers à release final do Leopard antes do dia 26 de Outubro. A inexistência de SDK para iPhone e iPod Touch (embora, neste caso, a Apple esteja a caminhar par ouvir os seus users e se prepare para lançar um SDK em Fevereiro de 2008). Ou o progressivo fecho hermético das bases de dado de iPods e iPhoto, por exemplo. E outras que, de momento, não me recordo directamente.

Esta estranheza é um pensamento que tenho visto aparecer pela Internet fora ao longo dos últimos meses e que, de início, pensei ser exagerado. Mas, quanto mais penso nisto, mais me convenço que o utilizador Apple está sujeito a um regime de prisão domiciliária. Assim a modos que como um barão da droga que é mantido numa prisão de alta segurança com todas as mordomias de um chefe de Estado. Mas, no entanto, está preso. É a impressão que tenho neste momento.

Sobre as condições de venda do iPhone, a aplicarem-se de futuro em Portugal diria:

– a limitação de duas unidades por comprador pode ser aceitável, visto a Apple não ter uma posição dominante no mercado de telemóveis e os privados poderem estabelecer livremente os termos dos seus negócios jurídicos. Quanto muito, poderíamos ter um problema de cláusulas contratuais gerais.

– a proibição de pagamento em dinheiro é, pura e simplesmente ilegal. Todo o numerário em circulação (notas e moedas) tem curso legal obrigatório. Por outras palavras, qualquer agente económico está obrigado a aceitar o pagamento em dinheiro, não o podendo recusar. Mesmo que sejam notas de 500 euros.

Portanto, correndo o risco de ter de engolir as minhas palavras, não sei se nos próximos anos as sebes do jardim não crescerão em altura, diminuindo de caminho o tamanho do mesmo. Não sei também se dentro de 5 ou 10 anos a Apple não estará a ter umas conversinhas simpáticas com a Comissão Europeia, pelo menos nos mercados em que dispõe de uma posição dominante (leitores de áudio).

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13 comentários em “Dois iPhones por pessoa e sem pagamento em dinheiro. Quo vadis Apple?”


  1. Concordo totalmente contigo e com a tua análise.

    O “mundo” apple é cada vez menos um sitio agradável onde se estar.

  2. ajax Says:

    A Apple anda claramente atrapalhada com o “sucesso” do iPhone. Infelizmente, para eles, 25% dos iPhones apenas deixam nos cofres da marca da maca, 399$. Ora quando se pode “vender” um iPhone por 800$ e picos, e’ natural que algumas decisoes sejam tomadas a “quente”.

  3. kincas Says:

    Coinage Act of 1965, specifically Section 31 U.S.C. 5103, entitled “Legal tender,” states: “United States coins and currency (including Federal reserve notes and circulating notes of Federal reserve banks and national banks) are legal tender for all debts, public charges, taxes, and dues…There is, however, no Federal statute mandating that a private business, a person or an organization must accept currency or coins as for payment for goods and/or services. ”

    Falar do que não se sabe…….

  4. detig Says:

    Obrigado pela referencia ao Coinage Act.

    No entanto, no post nao faco nenhuma analise *juridica* quanto a situacao nos EUA. Desconhecendo o enquadramento legal americano, limitei a analise juridica a hipotese de isso vir a acontecer em Portugal. Claro como agua.

    Sobre o falar do que nao sei, enfim.

  5. kincas Says:

    Então fazes futurologia?
    Também andavam a “adivinhar” processos na França por vir a ser vendido bloqueado. Viu-se no que deu.
    Fazer comentários sobre suposições não considero muito correcto.

    A Apple nos EUA está a tentar proteger os seus interesses, dos seus accionistas e da AT&T com a qual fez um acordo. Isto porque (talvez também não saiba) não ser ilegal desbloquear telemóveis nos EUA.

  6. detig Says:

    Futurologia? Neste post?

    Em direito (tanto na licenciatura, como depois) aprendem-se diversas tecnicas para fazer analise juridica. Entre varias, direito comparado e uma e a analogia outra.

    Limitei-me a indicar a resposta que o direito portugues daria caso essa situacao ocorresse no nosso pais.

    Sobre o que e “correcto” ou “incorrecto” comentar, uma vez mais, enfim.

  7. kincas Says:

    Para um “jurista” ainda é mais grave fazer essas “considerações”.
    Para poder fazer comparações têm de existir pelo menos 2 coisas.
    Ainda só existe uma.
    Existirá toda a legitimidade a partir do momento em que forem anunciados os modos de venda em PT. Até lá é apenas FUD.

  8. detig Says:

    E quando ha apenas uma, utiliza-se a referida analogia. Enfim.

    Vou dar por encerrada esta conversa, pois dispenso-me de descer o nivel.

  9. ajax Says:

    Não se ficam apenas pelos “States”.

    —–

    On the evening of 9th November, all the O2 stores will be open until 10pm.

    iPhone will also be available to order online from O2 Online, Carphone Warehouse and the Apple Online Store.

    There’ll be a **limit of two iPhones per customer and only credit or debit cards are accepted- no cash.**

  10. detig Says:

    Lá estarei em frente à loja da O2 no centro da cidade de máquina fotográfica em punho para registar o momento.

    A que horas é que o iPhone vai ser posto à venda? 6 da tarde?


  11. Este tipo de iniciativa é ridícula e pretende apenas “identificar” os utilizadores que depois não activam via Itunes store os seus equipamentos… no entanto, este tipo de cruzamento de dados vai estourar a qualquer momento, numa América cada vez mais consciente deste tipo de abuso… até porque qualquer um é livre de comprar um iphone e oferecer o mesmo a outra pessoa que procederá, ou não à sua activação.

    A limitação de quantidade é perceptível… face à enorme procura que ele tem (especialmente depois de ser possível o seu desbloqueio)

  12. ajax Says:

    detig,

    as lojas reabrem às 18h02. Gostava de conhecer o gajo que se lembrou de acrescentar os 2 minutos às 18h.😀

  13. detig Says:

    Eu sei, no meu mais recente post sobre o iPhone já faço referência a esse facto.


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