Arquivo de Outubro 2007

Dois iPhones por pessoa e sem pagamento em dinheiro. Quo vadis Apple?

Outubro 29, 2007

Recentemente a Apple mudou a sua política de vendas de iPhones nos EUA. Não aceita dinheiro, apenas cartões de crédito e limitou o número de unidades por comprador a apenas duas:

apple-agreement.jpg

Ora, já há alguns meses que me tenho intrigado sobre algumas opções recentes da Apple. A diferença de tratamento de ficheiros em formato mp3 e de ficheiros divx por exemplo, consoante interessa à prossecução de um determinado modelo de negócio (relativamente aberto no caso da música, completamente fechado na parte do vídeo). As alterações subreptícias nos termos do FairPlay, misturadas com updates essenciais ao iTunes. A falta de acesso de developers à release final do Leopard antes do dia 26 de Outubro. A inexistência de SDK para iPhone e iPod Touch (embora, neste caso, a Apple esteja a caminhar par ouvir os seus users e se prepare para lançar um SDK em Fevereiro de 2008). Ou o progressivo fecho hermético das bases de dado de iPods e iPhoto, por exemplo. E outras que, de momento, não me recordo directamente.

Esta estranheza é um pensamento que tenho visto aparecer pela Internet fora ao longo dos últimos meses e que, de início, pensei ser exagerado. Mas, quanto mais penso nisto, mais me convenço que o utilizador Apple está sujeito a um regime de prisão domiciliária. Assim a modos que como um barão da droga que é mantido numa prisão de alta segurança com todas as mordomias de um chefe de Estado. Mas, no entanto, está preso. É a impressão que tenho neste momento.

Sobre as condições de venda do iPhone, a aplicarem-se de futuro em Portugal diria:

– a limitação de duas unidades por comprador pode ser aceitável, visto a Apple não ter uma posição dominante no mercado de telemóveis e os privados poderem estabelecer livremente os termos dos seus negócios jurídicos. Quanto muito, poderíamos ter um problema de cláusulas contratuais gerais.

– a proibição de pagamento em dinheiro é, pura e simplesmente ilegal. Todo o numerário em circulação (notas e moedas) tem curso legal obrigatório. Por outras palavras, qualquer agente económico está obrigado a aceitar o pagamento em dinheiro, não o podendo recusar. Mesmo que sejam notas de 500 euros.

Portanto, correndo o risco de ter de engolir as minhas palavras, não sei se nos próximos anos as sebes do jardim não crescerão em altura, diminuindo de caminho o tamanho do mesmo. Não sei também se dentro de 5 ou 10 anos a Apple não estará a ter umas conversinhas simpáticas com a Comissão Europeia, pelo menos nos mercados em que dispõe de uma posição dominante (leitores de áudio).

A review do Leopard a ler

Outubro 29, 2007

Não sou fã de ler múltiplas reviews sobre o mesmo produto pois há uma tendência para, ao fim da segunda, simplesmente regorgitarem os mesmíssimos detalhes, idêntica informação com uma roupagem ligeiramente diferente.

Se passarem os olhos pela maioria das reviews do Leopard que por aí circulam, batem todas mais ou menos nas mesmas teclas. E qual é o ponto de (re)ler comentários iguais/parecidos em sites diferentes? Nenhum. Todos falam do Time Machine, Spaces, da Dock, da Menubar ou do (novo) Finder, incapazes de meter o dedo para além da camada de base ou eye candy que salta à vista.

Pelo que a única review do Leopard que recomendo é a do John Siracusa do ArsTechnica. Extremamente técnica e densa, não se ficando pela mera análise superficial das novas features do Leopard.

Pena que o Siracusa seja o único a escrever desta maneira.

Finalmente, de volta à normalidade

Outubro 28, 2007

Ao fim de uma semana e picos o SpB já está confortavelmente instalado em terras de Sua Majestade, ainda sem Leopard (por opção própria).

De registar a rapidez com que passei a ter internet em casa, o que me permite colocar estes posts já com os caracteres portugueses. Confesso que estava um pouco apreensivo, pois tinha ouvido algumas histórias de pessoas que ficavam semanas à espera que os seus serviços sejam activados.

Com a Virgin Media correu tudo bem e por um preço razoável. 28 libras mensais pagam telefone (com chamadas grátis à noite e fim-de-semana para números fixos ingleses e a 2p por minuto para números fixos portugueses), televisão (sem canais extra e pouco futebol) e internet *até* 4MB. Para dois gatos pingados chega perfeitamente.

O único senão da Virgin Media – que por outro lado, pode ser considerada uma vantagem – é que tive de ser eu a instalar tudo. Literalmente tudo. Modem, box, cabos etc, etc. Mas pelo menos não aguardei meses para que uns autodenominados técnicos me viessem montar o material.

Quanto à velocidade de acesso, os 4MB são para freguês ver. Segundo o DSLReports, a minha ligação funciona na realidade a 2MB. Mas para quem passou os últimos meses amarrado à Vodafone 3G, a mudança foi de burro para cavalo. E sem limites de tráfego, desde que o meu uso seja razoável (ou quando ilimitado* não quer dizer exactamente, ilimitado)

Dock do Leopard com visual antigo?

Outubro 24, 2007

Segundo o MacRumors, depois das inumeras queixas sobre a falta de coerencia entre os icones das aplicacoes e o conceito de prateleira da Dock no Leopard, parece que a Apple ouviu as preces.

Assim, quando a Dock estiver de lado, por defeito tera a aparencia tradicional, ao passo que se estiver em baixo tera o novo estilo prateleira. Mas mesmo este pode, alegadamente, ser mudado para o visual anterior.

Obrigado Apple.

Boa pergunta Phil

Outubro 23, 2007

O Phil decidiu fazer uma excelente analise comparativa do momento exacto em que ira ocorrer o lancamento do Leopard em diversos paises, dividindo-os em duas categorias: os que receberao o bicho no dia 26 e os que nao.

Naturalmente que Portugal e atirado para a segunda coluna, pela interlog(ica) do costume. De seguida, deixa no ar esta ideia:

Com esta observação pretendo deixar em cima da mesa, a possibilidade, remota, nesta altura do campeonato, da Apple pura e simplesmente já não considerar a Interlog uma representante digna da marca Apple e portanto, aproxima-se o momento de ruptura, aquele que todos nós ambicionamos à tanto tempo, para que seja, finalmente, a própria Apple a tomar conta dos destinos da sua representação em Portugal.

(negrito nosso)

Os fundamentos para esta ideia sao os do costume :

1. Portugal tem uma das iTunes Store

2. O Mac OS X pela primeira vez virá em Português de Portugal

3. O registo comercial da Apple em Portugal já foi realizado

4. O iPhone estará aí a rebentar no próximo ano

A estes argumentos, posso juntar mais tres:

5. A localizacao em portugues de Portugal tambem no iPhone, meses antes do seu efectivo lancamento

6. Saber de fonte bem informada que a Apple ha ja algum tempo olha de maneira diferente para o nosso mercado (dai eu nao ter resistido a colocar em ingles o post sobre a traquinice da Interlog o ano passado com os iMacs de 17 e 20″)

7. A ausencia de comentarios oficiais da Apple e/ou Interlog a noticia do Expresso de 23 de Junho sobre a criacao da Apple Portugal

Assim Phil, pergunto eu: Achas mesmo que a possibilidade e assim tao remota? I rest my case.

Leopard: compatibilidade de (algum) software

Outubro 23, 2007

Enquanto continuo a dar voltas ao problema (compro, nao compro?) do iminente lancamento do Leopard, e melhor fazer uma lista do software que e para mim primordial devido ao doutoramento e o estado da sua compatibilidade com o dito. Especialmente depois de ler este post no blog do Steven F. da Panic Software.

Bookends: boa pergunta, apesar de ter uma versao relativamente antiga (9.21) nao sei se a mais recente (10.1) e compativel com o Leopard. Aparentemente, nesta thread do forum de suporte o developer (Jon), assegura que sim;

Devon Think Pro: compativel;

Mellel: compativel, segundo esta thread no forum de suporte;

OmniOutliner Pro: informacao indisponivel no site do OmniGroup. Tendo em conta que a versao mais recente deste programa (3.6.2) tem ja quase um ano, tenho duvidas;

Papers: compativel, mas nao totalmente;

Scrivener: informacao nao disponivel no site da Litterature and Latte, embora esta entrada no blog oficial nao seja animadora;

Writeroom: nem o developer sabe.

Olhando para os programas destes seis diferentes produtores independentes de software, e possivel verificar que o estado de impreparacao se encontra generalizado. A responsabilidade e de quem nao deu aos developers uma versao final atempadamente para que este pudessem testar os seus produtos.

Esperemos – eu, seguramente – que poucos dias a seguir a disponibilizacao do Leopard, todo o grosso do software importante para quem usa o seu Mac para trabalhos de investigacao, pesquisa e escrita esteja a funcionar.

O que me leva a duas perguntas:

1. Porque manter os developers independentes no escuro ate ao dia do lancamento?

2. Sera que o Office 2004 vai correr melhor ou, pior ainda, sera que corre?

Portanto, a prudencia e importante nestas coisas, pelo que o trabalho critico que cada um tem de desenvolver no seu Mac devera continuar nas proximas semanas a ser executado no Tiger e nao no Leopard.

PS: Offtopic, como devem ter reparado os mais atentos, os meus posts mais recentes encontram-se totalmente desprovidos de acentos ou caracteres tipicos da ortografia portuguesa (como o til ou a cedilha). Nao, nao deixei de saber escrever, estou apenas amarrado a um teclado ingles.

Roma afinal paga a traidores

Outubro 22, 2007

Segundo este artigo da Wired,  a MPAA (Motion Picture Association of America) reconheceu ter pago a um antigo responsavel do tracker de torrents TorrentSpy qualquer coisa como 15 mil dolares, a troco de informacao roubada dos servidores deste servico:

There’s a trace of pride in his voice as he details the hack. “The e-mails weren’t forwarded using the mail command. They were sent actually before it reached anyone’s mailbox,” he says. “So it was more like interception before delivery. I could even stop certain mail from reaching their box.”

In this manner, Anderson says, he sucked down about three dozen pages of e-mails detailing banking, advertising and other confidential information. “Everything they were talking about was sent to my Gmail,” he says. “Everything they sent, anything sent to them, I got: invoices; in one case they sent passwords.”

Nao discuto a legalidade ou a ilegalidade de musica/filmes sacados. Mas esta politica da RIAA/MPAA de que as regras legais sao muito bonitas mas apenas para aplicar aos utilizadores que partilham ficheiros cheira a podre. Cheira, nao. Tresanda. Tambem lhe poderiamos dar o nome de hipocrisia. Mas enfim.

Quanto ao Judas, que os 30 dinheiros de prata lhe pesem no bolso.  Alias, ja devem pesar:

But once Anderson turned over the data and cashed the MPAA’s check, he quickly realized that Garfield had no further use for him. “He lost interest in me,” he says. Anderson felt abandoned: During negotiations with Garfield, the hacker had become convinced he was starting a long-term, lucrative relationship with the motion picture industry. “He was stringing me along personally.”

Como qualquer amante rejeitado/a, decidiu agora vingar-se na MPAA dando com a boca no trombone.