Arquivo de Setembro 2007

Será que a Interlog gosta mesmo de vender Macs?

Setembro 27, 2007

(For the english version, please scroll down)

Recentemente um passarinho contou-me algo que, perplexamente, não sei se hei de acreditar.

Em finais do ano passado, o mercado português passou por uma penúria de iMacs de modelos de 17 e 20 polegadas. Por outras palavras, os caros iMacs de 24″ estiveram sempre à venda, ao passo que os irmãos mais pequenos e de preço mais acessível estiveram indisponíveis nos últimos meses de 2006. Ao ponto de alguns clientes mais desesperados terem optado por ir a Badajoz comprar um computador, depois de serem informados que na(s) próxima(s) remessa(s) chegariam os ditos modelos de 17 e 20 polegadas.

Aparentemente a Interlog terá tido necessidade de parar de vender computadores, por forma a não ultrapassar uma determinada quota que acarretaria a possibilidade da Apple se estabelecer directamente no mercado português. Acresce que para 2006 na sua quota a Interlog terá optado por um mix de produtos para o mercado nacional que contemplava mais iPods à custa dos Macs.

Ou seja, de acordo com o contrato que liga a Apple à Interlog, o acordo exclusivo de distribuição terminaria se num determinado exercício anual as vendas atingissem um certo patamar. Não é descabido pensar que a Apple se resguardou aquando da celebração do dito contrato com uma cláusula nesse sentido.

Não é preciso ir ao Eurostat verificar que os iMacs mais pequenos serão bastante mais apelativos para o mercado português que o de 24″.

Podemos sempre pensar que os meses perto do final do ano são pródigos em motivar rupturas de stock nas lojas, mormente em produtos cuja procura foi subavaliada. Certo, mas a hipótese inversa, de protecção dos seus interesses à custa de clientes, mercado e marca, é, pelo menos verosímil, atendendo ao historial da Interlog e algumas provas circunstanciais:

– A Interlog não terá investido na prestação de um conveniente serviço de apoio técnico aos seus clientes;
– A Interlog não estará preocupada com a boa ou má imagem prestada pelo seu serviço de apoio técnico;
– Aquando do lançamento da mais recente geração de MacBook Pros, o modelo de entrada de gama (15″ 2.2Ghz) apenas foi colocado à venda um mês após os MBP de 15″ (2.4Ghz) e 17″. Estes dois últimos são, curiosamente, bastante mais caros que o primeiro;
– Neste momento exacto continua a ser difícil encontrar MBP de 15″ (2.2Ghz) que vão chegando a conta-gotas a Portugal;
– As novas gerações de iPods chegam sempre ao mercado português mais depressa do que os novos Macs que vão sendo lançados.

Portanto, das duas uma: ou a Interlog erra frequentemente as previsões de procura no mercado interno, ou então em finais de 2006 optou conscientemente por limitar a oferta, de forma a evitar a produção de um efeito negativo sobre a sua sorte futura.

ENGLISH VERSION

Recently I received some fresh information related with the way Interlog – Apple’s official distributor for the portuguese market – has been ruling the roost here in Portugal. I don’t know if the info is true or not but it sure is, at the very least, plausible.

During the final months of 2006 supply of 17″ and 20″ iMacs dried up completely. During the holiday shopping season only the 24″ behemoth was available in ample supply. The situation was so dire that potential customers, after being told more than once that such models would be forthcoming, went to Spain to buy their hardware, fed up with hollow excuses and bullshit.

And the reason for iMacs’ disappearance from Portugal? Allegedly, none-other than Interlog’s own petty interests.

Apparently the distribution contract binding Interlog and Apple includes a clause giving the second right to termination and to establish an official representation in Portugal if and when sales reach a certain level during a year. Therefore, Interlog may have decided to pursue its best interests, limiting the sales of the more popular iMac models in Portugal to avoid losing its distribution contract. In addition, my contact told me Interlog had opted in 2006 to give preference to iPods on their total alloted quota, further explaining the need to avoid importing more Macs.

Well, one does not have to check with Eurostat that smaller and cheaper iMacs are in more demand in Portugal than the bigger model. It goes without saying.

On the one hand, it can be argued that in any given year, a company can misjudge demand and order less product than it should to keep the market supplied and avoid prolonged droughts. Sure, but on the other hand, it would not be the first time Interlog decides to protect its own best interests at the expense of clients, market, and (Apple) brand and such move would fit in with some anecdotal evidence:

– During the last few years, Interlog does not seem to have invested near enough on the technical support it provides to customers, as any major repair will certainly take months to conclude since the hardware is sent abroad for lack of facilities/capability in Portugal (where in Spain, the same repair would take two to three days on any reasonable Apple shop);
– Interlog has never been worried with the damages its dismal service has been doing to Apple’s brand and image, to the point of not even bothering giving reply to customer’s complaints (been there, done that);
– At the launch of MacBook Pro’s current generation, the least expensive 2.2Ghz model was only made available a full month after the more expensive versions were on sale;
– At this moment, the MacBook Pro 15″ 2.2Ghz is again in short supply, echoing 2006 iMac’s draught;
– Time to market of each iPod new generation is consistently faster than for computers.

So, either Interlog has been consistently misjudging demand in Portugal or in 2006 final months, it consciously decided to limit Mac availability in the retail channel to preclude a certain negative consequence from occurring: the loss of its most cherished prize, Apple’s distribution contract for Portugal.

Mothership, take notice: it’s about time you set up an official representation here in Portugal. For God’s sake, you’ve even created a company here. Use it!

Anúncios

Beta do Mailplane perto do seu final

Setembro 27, 2007

A fase beta do excelente software de acesso ao Gmail Mailplane está a proximar-se do seu final, tendo sido hoje disponibilizada para download a provável última beta.

A licença individual da versão pública será colocada à venda por 24.95 dólares, sendo possível comprar uma licença familiar por mais 8 dólares. Até ao momento do lançamento é possível adquirir esta licença familiar pelo preço da licença individual.

As licenças podem ser compradas aqui.

Quanto a novidades, a beta 1.52 inclui:

– suporte para o Leopard;
– traduções para finlandês e catalão;
– opção de não-optimização das fotos enviadas por mail;
– opção de lançar o Mailplane de forma minimizada (ou escondida).

Impressões sobre o novo teclado da Apple

Setembro 26, 2007

Agora que já tenho algumas semanas de utilização do novo teclado USB da Apple, está na altura de escrever uma pequena resenha sobre o mesmo.

Começando pelos pontos positivos, destaco a facilidade/velocidade de escrita e a rapidez com que me habituei ao mesmo. Quando se trabalhou com n modelos e tipos diferentes de teclados – cada um com seu layout – é importante identificar a curva de adaptabilidade a um novo.

Portanto, para aquilo que o teclado foi comprado – escrever – só tenho a dizer que cumpre integralmente a sua função e é claramente um passo em frente quanto ao conforto se compararamos com os teclados antigos da Apple.

Mas por outro lado, nem tudo são rosas.

O aparecimento de novas funções nas teclas F acarretou mudanças no layout, a meu ver, desnecessárias quando comparadas com o antigo ou com o teclado de um Macbook Pro. Não me parece que fosse necessário promover a mudança de localização das teclas de aumento/redução de volume, por exemplo. A mesma coisa com a tecla para o Dashboard que agora fica no F4 quando no teclado do Macbook Pro, por defeito é o F12.

Quanto ao design das teclas, o conceito pastilhas Rennie (quadrados brancos, quase sem relevo, com um fosso entre cada tecla) continua a não me convencer. Certo, é uma melhoria quanto ao teclado agora substituído, mas é menos prático e preciso do que o do MacBook Pro. O toque, profundidade de afundamento e feedback de cada tecla sofre de idêntica comparação. Mudança para melhor, mas ainda sem atingir o patamar possível.

Sobre o espaço entre cada tecla, mantenho a minha opinião veiculada aquando do lançamento do Macbook: não contribui para facilitar a escrita, especialmente para quem está habituado a teclas não espaçadas como é o meu caso.

No que concerne à estética geral do teclado, penso que não é conseguida. Quando desaparece o branco como cor dominante do iMac, não faz sentido que um novo teclado lançado na mesma altura tenha um fundo de alumínio e teclas brancas. Penso que teria sido uma opção muito mais feliz um teclado todo em cor de alumínio/prateado, como acontece com o Macbook Pro.

Por fim, faço votos que num futuro próximo seja lançado um teclado USB da Apple retroiluminado como acontece nos teclados dos MacBook Pro. Para trabalhar sem luz ou luminosidade reduzida, não há melhor, por muito que se conheça bem o layout.

Deixo aqui o link para uma review profunda e extremamente crítica deste novo teclado por parte do blog Apple Core.

Realço a teoria patente nessa review de que a Apple estará a aproveitar o metal sobrante das folhas de alumínio utilizadas nos novos iMac para fazer a base dos teclados. Parece-me uma atitude economicamente lógica e que, ao menos desta vez, não surge como propaganda ecológica da Apple.

Preços e versões do Office 2008

Setembro 25, 2007

Depois de na semana passada terem sido divulgados detalhes e imagens do Office 2008 para Mac, a Microsoft tornou hoje público versões e preços que irá cobrar.

Indo direito ao assunto, o Office 2008 será vendido em três versões:

– Mac Home and Student Edition (Word, Excel, PowerPoint e Entourage) por 149 dólares;
– Office 2008 for Mac (Word, Excel, PowerPoint, Entourage e a possibilidade de se ligar a um servidor Exchange) por 399 dólares;
– Special Media Edition (tudo o acima e ainda o progama Expression Media para organização e manipulação de fotos, vídeos e ficheiros diversos) por 499 dólares.

O preço da versão mais barata é bastante apelativo, mantendo-se inalterado em relação ao actual Office 2004 para estudantes (o qual já permitia a instalação em três computadores diferentes, característica que se mantém) mas tem, para mim, uma falha essencial que é a impossibilidade de ligação a um servidor Exchange. Mas sendo justo, como o target deste pacote não são empresas (e especialmente por isso) é óbvio que uma feature empresarial seja reservada para as versões mais caras.

É também merecedor de relevo que a mencionada versão acessível pode ser legalmente instalada em três computadores, facto que assim de cabeça desconheço quanto ao Mellel que utilizo como alternativa ao Word.

O site do Office 2008 pode ser encontrado aqui.

Férias

Setembro 13, 2007

O SpB vai de férias até à próxima Sexta-Feira, dia 21.

Até lá nada de computadores, Apple ou iPhones.

Sobre o recente boom de editores de imagem para OS X

Setembro 11, 2007

Nos últimos meses fui-me apercebendo de uma tendência claramente marcada no que toca a software novo para OS X. Falo da multiplicação (assim a modos como cogumelos, coelhos ou baratas) de novos software para edição de imagem em OS X. Estranhamente, ou não, todos eles são (ou serão) pagos, sem que considere isso algo de necessariamente negativo.

Nos últimos meses apareceram por aí os seguintes novos programas de edição de imagem para OS X:

Pixelmator | Company.jpgPixelmator (da Pixelmator Team)

Skitch (da Plasq)

Flying Meat_ Acorn.jpgAcorn (da Flying Meat)

Nolobe.jpgIris (da Nolobe)

Assim de cabeça, penso que podemos distinguir quatro particularidades que atravessam os programas presentes nesta recente vaga:

a) são desenvolvidos por developers individuais ou pequenas software houses;

b) serão vendidos por um preço necessariamente inferior em relação ao standard de facto Photoshop (em qualquer uma das suas declinações/versões), ainda que os editores não tenham apresentado o preço final;

c) foram assumidos riscos ao nível da interface, ao optarem por soluções manifestamente diferentes das guidelines determinadas pela Apple;

d) pelo menos Pixelmator e Acorn fazem (finalmente!) uso da tecnologia Core Image introduzida com o Tiger em 2005 e, necessariamente, do GPU presente nos Macs.

Pelo que tenho lido, cada um destes programas aborda a edição de imagens de um prisma muito próprio e com uma filosofia digamos que, personalizada. Mais completos, ou mais espartanos, Mais focados em apenas uma ou duas funções. Cada um pretende editar imagens à sua maneira, despedaçando pelo caminho vícios e paradigmas antigos.

Quanto à coincidência de todos estes novos softwares aparecerem no mercado mais ou menos ao mesmo tempo, parece fácil encontrar explicação. Os atrasos na actualização do Photoshop para Universal Binary e o seu pornograficamente elevado preço, apontam para que estes developers independentes tenham achado necessário tapar um buraco no mercado de software para OS X.

Por falar em preço, não me espantaria que o tamanho da Adobe justificasse por si só a necessidade de vender o Photoshop e sucedâneos por um valor na casa dos três dígitos.

Não sendo grande fã de edição de imagem, dos quatro programas mencionados testei apenas o segundo e para já estou satisfeito com a interface e as capacidades demonstradas. É o que dá não ser artista.

Para já, o único disponível em versão 1.0 é o Acorn, com um preço promocional de 39.95 dólares.

Ainda sobre os novos iPod nano e classic

Setembro 11, 2007

O Arstechnica publicou uma excelente review sobre os mesmos.

A maior crítica a sobressair do tempo dispensado aos iPod nano e classic é a velocidade (ou melhor, a falta dela) da UI. Para quem está habituado à rapidez das gerações anteriores, a transição não se afigura fácil. Parece que o acréscimo de eyecandy da UI, ainda que com pontos positivos, passa uma factura nada pequena na velocidade. Tão óbvia é essa correlação (mais eyecandy, maior tempo de resposta) que nem lembrei dela aquando da minha análise aos novos modelos.

O Arstechnica critica ainda a impossibilidade de ligar os aparelhos a uma televisão sem ser com os acessórios vendidos pela própria Apple ou devidamente licenciados por esta e a incompatibilidade dos jogos comprados anteriormente na iTunes Store para o iPod 5.5G.