Fake Steve na brasa

Não é segredo para ninguém que Fake Steve tem o condão de pisar os calos a muita gente com os comentários que tem feito ao longo do último ano. Como com os autores de O meu pipi ou do Hi5Porcas, há meses que se discute a sua identidade. Será americano? Inglês? Editor da Wired? Espertalhaço? Personagem compósito?

Nos últimos dias o seu blog tem estado um pouco parado para o ritmo habitual. Apenas um ou dois posts por dia, ao invés da meia dúzia com que, por vezes, nos brinda.

Ontem ficámos a saber porquê. Aparentemente alguém andará a perseguir incessamente Fake Steve para descobrir a sua identidade. Será verdade? Ou tratar-se-á apenas de mais uma piada? Até a CNET reportou o acontecimento.

Pessoalmente acho que é verdade, tendo em conta o histerismo que se tem assistido quanto ao desconhecimento da sua identidade e as vantagens para o autor em manter o status quo.

O que me leva à pergunta subsequente, tema sobre o qual já queria ter escrito há alguns dias: qual a nacionalidade de Fake Steve?

Devido a uma série de provas circunstanciais estou convicto de duas coisas:

i) que é europeu (ou seja, britânico);

ii) que é um personagem compósito;

Começando pelo primeiro, os argumentos circunstanciais que posso apresentar em favor da minha teoria são simples.

a) Do humor britânico

Cada vez que vejo os múltiplos e sucessivos posts assassinos que vai publicando Fake Steve penso estar a ler o guião de um episódio de Monty Python, Blackadder ou, para os mais recentes, The Office. O humor sarcástico e sardónico que o caracteriza encaixa perfeitamente numa personalidade que tenha bebido durante a sua juventude da fonte do humor britânico. Há ali muito salero que não tem origem americana. Concedo que a ser americano Fake Steve, provavelmente viu e reviu Arrested Development onde se cultivava um humor corrosivamente sarcástico. Mas lá está, Arrested Development é das séries de comédia americanas mais britânica que conheço.

b) Dos erros geográficos europeus

Em pelo menos dois episódios de Arrested Development é feita uma piada geográfica sobre Portugal como se situando na América do Sul, gozando com o desconhecimento geográfico dos americanos. FS segue a mesma onda mas com uma particularidade. A piada é sempre com países europeus e essencialmente com trocas e baldrocas relacionadas com a Europa. Ora confunde expressões, línguas maternas ou localizações mas sempre, sempre com países europeus.

Ou seja, não mete Portugal na América do Sul, mas sim no Líbano, por exemplo. Ou fala de Tripolí como estando relacionada com a Itália ou a Sicília (piada muito, muito histórica, dado que a Itália de Mussolini ocupou a Líbia).

Só um europeu consegue fazer piadas ofensivas trocando o alemão por suíço (do jornal Spiegel Catalog) ou o francês pelo português. Ou saber expressões idiomáticas em latim, como o mea culpa.

Acresce que dos mails que troquei com FSJ (sim, um par, sobre a Apple Portugal) em que me agradeceu em portinhol (muy obrigado) e de alguns comentários que fez em português (bacalhau e aqui também) no blog, fiquei seguro que só poderia ser um europeu a responder-me.

Ou seja, com as constantes piadas geográficas centradas na Europa, Fake Steve demonstra uma excelente cultura geográfica…europeia. Parece-me excessivo que seja um americano de tal forma culto que conheça os meandros das relações internacionais europeias como Fake Steve aparenta. Recorde-se que o gag original era gozar com o alegado desconhecimento de geografia do verdadeiro Steve Jobs, por ter abandonado os estudos relativamente cedo.

Mais uma vez, humor tipicamente britânico.

c) Das piadas sobre jornais ingleses

Outra prova circunstancial da nacionalidade de Fake Steve é que parece estar sempre profundamente atento a tudo o que é inglês e, principalmente, a tudo o que é notícia em Inglaterra. A história do logo dos Jogos Olímpicos de 2012, da capa da britânica The Economist, ou mais recentemente do disco de Prince oferecido com o Daily Mail demonstram que está atento à realidade e à imprensa diária inglesa.

d) Ozymandias

Se dúvidas ainda houvessem, o post em que Fake Steve fala sobre Ozymandias mata a questão. Ozymandias é um poema de uma autora britânica (Percy Shelley) do Séc. XVII. Coincidentemente, é também um gag dos Monty Python (Flying Circus, Episódio 41).

Com todas estas provas circunstanciais, tenho pois que Fake Steve é um inglês. Até poderá viver nos EUA, mas claramente, de origem britânica. Nenhum americano citaria tal poema.

Passando agora à ideia de personagem compósita. Quanto a este facto é apenas uma ideia. Acho que aparecem demasiados posts por dia no FSJ para que seja apenas um autora. Ademais, há grandes alternâncias em posts arrasadores de gozo com outros que denotam grande profundidade de raciocínio, como os relacionados com a música.

Como referi, é apenas uma ideia. Acredito que o escritor final seja apenas um, ou dois no máximo. Mas penso que existem várias pessoas a preparar os textos do blog.

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5 comentários em “Fake Steve na brasa”

  1. abc Says:

    Eu acredito que ele seja europeu ou pelo menos de natureza europeia tendo em conta tudo isso que referiste. Ser britânico já não tenho tanta certeza.

    A cultura anglo-saxónica está muito difundida por essa Europa fora e basta ver o caso de Portugal que nem é exemplo para ninguém e ainda assim há anos que passa no canal 2 o espaço Britcom sem falar noutros programas cómicos de origem britânica.

    Se for um Europeu com idade entre os 30~40 anos, é bem provável que tenha tido oportunidade de se aculturar em qualquer país europeu de onde seria originário.

    Quanto ao viver no UK, não seria vulgar dado que quem já esteve no UK sabe que é um país muito cosmopolita onde se encontra gente de todo o lado. A maioria das pessoas que conheço que foram para fora do país aquando do término ou até para estudar, foi para Inglaterra.

    Quanto ao ser britânico há ainda outra coisa que me faz duvidar disso. O inglês de Fake Steve é profundamente americano. Não me quero alongar sobre o uso ou não uso de determinadas expressões idiomáticas, palavras entre outros detalhes de construção frásica e linguagem porque isso dá pano para mangas.

    No entanto, vou referir a palavra “center” que é usada com frequência no blog. Em inglês britânico escreve-se “centre” e esta diferença de terminações é comum no inglês EUA vs inglês UK.

    Acho que um britânico de gema teria tendência a usar a terminação “re”. Já um americano ou europeu seria mais provável escrever “er” devido aos tentáculos da cultura americana na globalização do inglês.

    Se se lembrarem de outras vão ver que ele preconiza um estilo sobretudo americano ou pelo menos foi a impressão com que fiquei.

  2. abc Says:

    No 4º parágrafo queria dizer invulgar.

  3. mac2 Says:

    Como referes o FSJ tem sido atacado por todos os lados, em especial pelo seu anonimato. Claro que a facilidade de vociferar (seja em termos “piadéticos” ou não) advém daí. Ora esse é também o problema com que se debate agora: quando perder o anonimato, o FSJ deixa de ser o Fake Steve Jobs e passa a ser o banal Frank Stanley Jones. Quem o quer tramar sabe disso… acaba-se o negócio.

  4. ajax Says:

    Who cares, really?!?😀

    Seja Americano ou Birmanês, FSJ há só um… ou vários.😀

  5. detig Says:

    abc,

    Inclino-me para o britânico a viver nos States.

    De qualquer forma, o argumento da escrita e das expressões em American English é relativamente fácil de ultrapassar, basta ser um bom escritor e ter sempre presente que não quer demonstrar ser inglês.

    Já inventar o falso desconhecimento sobre geografia europeia (demonstrando na realidade um excelente conhecimento) ou a cultura que enforma os seus textos, não é tarefa para qualquer um.

    Como me ensinaram em tempos, mentir com palavras é fácil, com actos é bem mais difícil.


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