Secret Features do Leopard (análise)

Já tive tempo para ver a keynote de Steve Jobs de ontem.

Seguindo a opinião generalizada (aqui e aqui, por exemplo), perdoai o português vernáculo mas (como eu temia): muita parra e pouca uva.

Há novidades interessantes (quem quiser ver uma lista organizada das novidade dê um salto ao blog da MJ ou à página da Apple sobre o Leopard), é certo, mas para quase um ano de espera (a WWDC 2006 foi em Agosto), trata-se de muito, muito pouco. Assim a modos como uma recauchutagem do que já conhecíamos (64 bits, Time Machine e Core Animation outra vez na keynote?).

Como primeiro ponto positivo temos o novo desktop com a interface unificada, embora me pareça pouco relevante o efeito bonitinho na dock (coitados de quem usa a dock no lado esquerdo) e a transparência na menubar. Provavelmente dificulta a leitura dos itens aí presentes. Os stacks parecem-me francamente úteis e a pasta de download também. Os primeiros são, para mim, a novidade mais sumarenta de todo o Leopard, embora se tratem da implementação de uma ideia patenteada pela Apple há quinze anos. Já a última de tão óbvia que era, ninguém havia reparado nela até hoje.

Quanto ao novo finder, é cedo para dizer se é bom ou mau. As novidades na sidebar e nos modos de visualização quicklook e coverflow parecem-me interessantes, embora a real utilidade dependa de experimentar in loco estas features. Não sei se serão suficientes para descalçar a combo PathFinder e Quicksilver.

Como outros pontos positivos temos o iChat (tirando os efeitos bonitos, a qualidade de audio impressionou-me, embora os dois Macs utilizados provavelmente estivessem ligados na mesma rede…com fios) e a possibilidade de tornar webclips como widgets. Não sou grande fã de RSS, mas a possibilidade de ter os segmentos de notícias de alguns sites ao alcance de um F12 é sedutora.

Vamos aos pontos fracos.

As parcas mudanças no serviço .Mac – nada de mais espaço, melhorias no serviço, preços mais baixos ou uma real integração com o OS X – apenas uma funcionalidade de acesso remoto a Macs levam-me a perguntar: para quando uma renovação profunda do mesmo? Novidade eventualmente relevante para quem já seja assinante do serviço, mas não me parece que seja algo suficiente motivador para levar muita gente a aderir ao mesmo. Tiro ao lado.

Algumas das novidades do finder (search shared computers) são apenas interessantes para quem o tem numa rede interna. Para os restantes (como eu) vale 0. Não é um ponto fraco per si, mas apenas de relevo para parte da base instalada.

De fora ficaram duas alegadas pedras de toque do novo OS X Leopard: o sistema de ficheiros e a afamada resolution independence. Quanto ao primeiro, por ventura vitimado pela grande boca do CEO da Sun sobre o ZFS, não houve qualquer informação. O segundo apareceu indirectamente na demo do Core Animation e (eventualmente) num zoom enorme feito por Steve Jobs logo no início da apresentação.

Portanto, para 300 novas features, escolher aquelas dez como mais significativas numa conferência de programadores, parece-me pobre. Afinal de contas, também oTiger tinha 200 novas features e um número significativo afinal eram widgets…

Não que o Leopard seja mau, longe disso, mas esperar 30 meses (entre Abril de 2005 e Outubro de 2007), incluindo dez pelas tais “secret features”, para ver isto é pouco. Muito pouco.

Não me venham com histórias que o último lançamento foi o Tiger para Intel em Janeiro de 2006, pois na keynote de Junho de 2005, quando foi anunciada a transição para a Intel, Jobs afirmou que o OS X tinha tido uma vida dupla desde o seu início, ou seja, que tinha sido sempre desenvolvido em paralelo para PowerPC e x86.

Para mim, o Leopard é um passo no sentido certo, mas peca por ser demasiado evolucionário. Cada vez mais acho que a prioridade actual da Apple é o mercado de electrónica de consumo e não a sua linha de computadores.

Enfim, em Outubro lá largarei os 129 dólares euros pela versão Ultimate do Leopard.

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4 comentários em “Secret Features do Leopard (análise)”

  1. mac2 Says:

    Yup, concordo com *tudo* o que dizes. O Leopard é muito interessante — gosto do que foi apresentado (se bem que o Path Finder + QS sejam já parte da minha routina). Quanto ao resto: blah! A falta de renovação do .Mac é desesparanrte. Aliás, acho que definitivamente desisti dele.

    Parece que a aposta é efectivamente o iPhone, mas até aí as novidades foram parcas.

    Não estou de todo admirada com a descida de acções: pagamento pelas expectativas criadas. Mas não vou ao pessimismo do nosso colega bloguista JC do iSwitch (v. comentário dele no meu blog) — a Apple não me conveceu desta vez, é um facto, mas a MS não me convence há muito. (Excepto nos ratos que fazem e que são de muito confortável utilização.)

  2. mac2 Says:

    desesparanrte = desesperante🙂

  3. Phil Says:

    Só uma pequena nota para a frase “Não sou grande fã de RSS”. Ok…é legítimo, mas é só para informar que 99% dos blogs e notícias que acompanho, faço-o com o Google Reader, ou seja, através de RSS. Este Blog está naturalmente incluído e o RSS é o futuro. Falo claro, de conteúdos “on demand” e “podcasting”, por exemplo.


  4. MAc2… fui redutor simplesmente porque a wwdc é neste momento, ou deveria ser, a expo da Apple para o mundo da informática, da base leal de utilizadores que volta e não volta gasta 2.000 usd com a Apple, e não os típicos compradores do ipod. E este mercado devia merecer um pouco mais de consideração, num evento a que lhe era destinado!

    Acerca da Microsoft é preciso ter a noção que até esta empresa muda… Não te esqueças que a maioria dos novos sucessos da casa prende-se com uma nova divisão que faz as coisas diferentes (Xbox, zune, e surface computing) e não com as coisas antigas… tal como a Apple sempre conquistou pontos com base em equipas fechadas, estanques, e com um puxar para a frente que é do desconhecimento da globalidade da empresa, até por questões de secrestismo. E já agora relembro que o Vista está num nivel diferente dos outros, sendo que a maior preocupação/geração de problemas consiste exactamente no layer de compatibilidade obrigatório para uma maior universalidade, mas que a MS é livre de desligar a qualquer momento, ou seja o “Aero” são peanuts. mas tal como no MacOSX as iniciativas de fundo é que são a base fundamental para novas aplicações… A tal filosofia do software modular, que (quando se controla o hardware) permite fazer tudo de forma segura e estável… tal como a Apple nos tem habituado :)… Nõa tenho dúvidas que o surface computing vai ocupar um grande lugar nas nossas vidas no futuro… na forma anunciada ou com outras formas…


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