Green my Apple….A greener Apple

Depois de muito criticada pela Greenpeace numa campanha excelente (Green my Apple) em que foi exigido à Apple que desse o exemplo não apenas no design dos seus produtos mas também na vertente ambiental.

Pois bem, hoje, a Apple cedeu. Após uns meses de guerra surda e de sucessivos torpedeios à campanha da Greenpeace, Steve Jobs colocou online um artigo sobre as credenciais ambientais, actuais e futuras, da Apple.

Mas é estranho que um CEO não conheça bem o historial ambiental da sua empresa:

Upon investigating Apple’s current practices and progress towards these goals, I was surprised to learn that in many cases Apple is ahead of, or will soon be ahead of, most of its competitors in these areas.

Uma coisa é estar à frente dos concorrentes outra é, como acontece na maioria dos benchmarks ambientais da Apple, estar atrás, mas ter a certeza que virá a estar à frente no futuro. Ou seja, dá total razão às críticas da Greenpeace.

E apenas num ponto alega estar hoje à frente dos seus concorrentes, mais concretamente, na questão da eliminação dos monitores CRT (e do chumbo neles incluído). Em todos os outros, resulta claro da carta aberta de Jobs que a Apple está a par ou atrás.

Vejamos o caso dos metais pesados abrangidos pela Directiva RoHS que entrou em vigor em Julho de 2006. A Apple para vender produtos na Europa tem de a cumprir, goste ou não goste. Por isso o Airport Express foi descontinuado e apenas substituído pelo Airport Extreme há poucos meses. Os restantes produtos foram adaptados à nova legislação, como fizeram todos os outros fabricantes. Excepto alguns (Motorola) que andaram a mover stock de Estado membro para Estado membro à medida que a Directiva ia sendo transposta.

O facto de a Apple ter cumprido com a Directiva antes da sua entrada em vigor não se deve a motivos ambientais, mas apenas a uma gestão eficiente dos recursos à disposição e um bom "process control". Se sabem que terão de cumprir uma determinada lei, incluem as mudanças na ultima renovação do produto antes do deadline, de forma a minimizar os custos com a transição. Assim não são apanhados com as calças na mão.

Além disso, se o cumprimento antecipado dessas obrigações tivesse sido motivado por questões ambientais, certamente que essa bandeira já teria sido levantada…especialmente depois do aparecimento da campanha da Greenpeace.

Mas, vamos às coisas boas:

We plan to introduce our first Macs with LED backlight technology in 2007. Our ability to completely eliminate fluorescent lamps in all of our displays depends on how fast the LCD industry can transition to LED backlighting for larger displays.

Ficamos a saber que teremos Macs com LEDs durante o ano corrente, o que dá consistência aos rumores de Macbook Thin para os próximos meses (agora com o atraso do Leopard, deverá ficar para o último trimestre) e, uma vez mais, atira com as responsabilidades de eventuais atrasos ou período largo de transição da tecnologia a toda a gama para as costas da indústria de LCD. Assim a modos como havia feito com a história dos DRM.

Passando agora aos números de reciclagem. Bom, parecem ter-se esquecido que na Europa, em boa parte dos Estados membros já foi transposta a directiva sobre os WEEE (resíduos eléctricos e electróncios) e que obriga os produtores actuais a reciclar resíduos de produtores passados (lixo histórico) de acordo com a sua quota de mercado corrente.

A Apple diz que recicla hoje 9.5% do seu lixo:

Apple recycled 13 million pounds of e-waste in 2006, which is equal to 9.5% of the weight of all products Apple sold seven years earlier. We expect this percentage to grow to 13% in 2007, and to 20% in 2008. (…) A note of comparison — the latest figures from HP and Dell are each around 10% per year, and neither company has yet disclosed plans to grow this percentage in the future. By 2010, Apple may be recycling significantly more than either Dell or HP as a percentage of past sales weight.

Pois nos países europeus em que a Directiva WEEE foi transposta, terá já hoje de reciclar (ou melhor dizendo, pagar para que seja reciclado) 100% do lixo relativo à sua quota de mercado. Essa reciclagem gratuita terá de ser garantida de forma individual pelas empresas (impraticável) ou através da participação de uma associação que faça a gestão da recolha para reciclagem.

A título de exemplo em Portugal os produtores fazem parte de uma de duas associações constituídas para o efeito, não conhecendo eu nenhum produtor (ou importador…) que tenha optado por tratar da sua própria recolha.

Percebem agora por que motivo não estou impressionado por estes números? É que de 9.5% passar para 100% do lixo produzido anualmente, vai uma grande distância.

Portanto, tenho que bem espremido o sumo da carta de Jobs apenas vejo que a Apple está a fazer aquilo para o que legalmente tem sido obrigada, especialmente na Europa e que pretende limpar a sua imagem ambiental nos próximos anos. Sinceramente, espero que consiga. Por algum motivo terminam com uma mensagem de mudança:

Today is the first time we have openly discussed our plans to become a greener Apple. (…) We apologize for leaving you in the dark for this long.

Pena que quando a Greenpeace quis conversar lhe tenham feito um manguito. Mas mais vale tarde que nunca. Vitória para a Greenpeace que alcançou os seus objectivos: tornar pública esta questão, fomentar o debate e levar à mudança na Apple.

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6 comentários em “Green my Apple….A greener Apple”

  1. Sr. Tobias Says:

    Denoto alguma incoerência aqui neste post, quer dizer primeiro a Apple apenas faz aquilo a que está obrigada por lei, depois no fim dizes que a Greenpeace conseguiu mudança na Apple… então em que ficamos?

  2. ajax Says:

    Os gajos da Greenpeace são um bocado lerdinhos e na maioria das vezes nem percebem do que falam. Então na área do Nuclear é um fartote de rir.

  3. detig Says:

    Incoerência só se for do “adiantado” da hora, não gosto de escrever posts longos à noite😀.

    Mas o meu ponto é simples. Dos factos referidos pelo Steve Jobs como já alçancados pela Apple fica claro que foram “empurrados” por factores extra-ambientais, como legislação ou renovação de produtos/linhas.

    Quanto à vitória da Greenpeace relativa às mudanças na Apple, a tomada pública de posição de Jobs, a promessa de melhorias no futuro e a revolta dos accionistas (que se preparavam para votar numa assembleia geral deste mês uma resolução que apontasse no sentido agora aventado por Jobs), sustentam o meu argumento.

    Por outro lado, vejo estas divulgações públicas com olhos cada vez mais cínicos. Afinal o “Thoughts on music” apenas aparece depois de apertados os calos à Apple por parte da França e da Noruega e agora o “A greener Apple” é publicado após a campanha da Greenpeace, da expulsão da Greenpeace de conferências e antes da tal assembleia geral.

    Ou seja, são ambas reacções (ponderadas e inteligentes, é certo) e não acções tomadas por livre iniciativa da Apple. Mas reconheço que Jobs consegue adaptar-se bem ao espaço entre a espada e a parede.

  4. Sr. Tobias Says:

    Detig, és tu demi?

  5. detig Says:

    Yep. Mas o meu login habitual não estava disponível.

  6. Cristiana Says:

    A Apple sempre quis mudar para melhor…

    Tinha esta falha… vai emendá-la! Qual é o problema?!


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