AppleTV à venda e os meus comentários

O Apple TV está finalmente à venda e alguns clientes nos EUA já os receberam. Pela net já há imagens e videos do mesmo.

Até ao momento ainda não me havia pronunciado sobre a utilidade ou inutilidade do AppleTV. Aquando da sua introdução em Setembro do ano passado fiz parte do coro de “ooohs” e “ahhs” que se juntou. A ideia de facilitar a passagem de videos de um PC para a TV, ainda para mais, sem fios, é excelente.

Hoje, não tenho exactamente a mesma ideia por vários motivos.

Em primeiro lugar, acho um brinquedo caro. Não para info incluídos, mas para a mole enorme de gente que não tem uma relação fácil com a tecnologia. Se não for possível explicar bem e cabalmente às pessoas as vantagens e como utilizar, está destinado a ter um sucesso limitado. Além do problema preço, neste momento para extrair o máximo do AppleTV, é necessário ter um router Airport Extreme, o qual não é nada barato (não tenho a certeza, mas creio que poderá ser substituído por qualquer outro router 802.11 draft n).

Em segundo lugar – e quiçá o óbice mais importante – a Apple optou por castrar o tipo de videos que poderão passar no AppleTV. E é neste ponto que falha a analogia com o iPod. É que o iPod (e o iTunes!) democratizou o acesso à música digital permitindo que as pessoas ouvissem a música em MP3 (obtidas legal ou ilegalmente) ou no formato AAC com o DRM Fairplay da própria Apple. Ou seja, o sucesso do iPod deveu-se ao facto de ter abraçado um standard aberto e gratuito.

Nos videos a Apple seguiu caminho diferente, primeiro com o iPod Video e agora com o Apple TV. Em nenhum dos dois aparelhos é possível visualizar videos em formatos que não os escolhidos pela Apple (H.264 and protected H.264 para ambos, segundo o site da Apple) , sendo que o grande catálogo de filmes que uma pessoa pode ter no seu computador não está codificado nesse formato. Estará em AVI, WMV ou DivX. Ou seja, para poderem ser utilizados, tais filmes teriam de ser recodificados num formato suportado.

Aliás tentem, por exemplo, rippar um DVD video no iTunes como fazem com um CD de música para o formato MP3. Pois. Impossível.Tentem também adicionar um video nos formatos acima mencionados ao iTunes para aparecer no Front Row sem ser pelo nome do ficheiro. Pois. Impossível.

E aí está o erro do Apple TV. Ao não permitir a mesma facilidade de utilização do media video como foi permitido em tempos ao media som, o sucesso do iPod não será repetido pelo Apple TV, pelo menos na sua versão actual.

Por isso também sou um crítico da hipocrisia de Steve Jobs pedir o fim dos DRM para a música quando assentou toda a sua estratégia em circuitos fechados (iPod + iTunes e agora AppleTV + iTunes) e não teve coragem para fazer idêntico pedido no que toca ao video. Porquê? Porque a Apple não controla o mercado de video digital como controla o de música.

Em terceiro lugar, para quem quiser comprar um TiVo, o AppleTV não servirá de alternativa, pois não permite a gravação de conteúdo vindo da televisão. Mais uma limitação na utilização que pode custar caro.

Em quarto lugar, como já o Tao of Mac tinha dito, na Europa ainda estamos para ver que filmes e videos podemos comprar. 0 ou pouco mais. Para os europeus o AppleTV só teria efectivamente alguma utilidade se permitisse visualizar facilmente filmes arranjados fora do iTunes. No estado actual, para o mercado europeu é um brinquedo bonito e pouco mais. Portanto, para já o mercado do AppleTV é apenas o americano onde terá de se bater com o TiVo e afins.

Por fim, uma última crítica ao AppleTV: a inexistência de cabos na caixa. É inqualificável que num hardware destinado para ligar à televisão a Apple não forneça sequer um cabo composto.

Termino dizendo que o AppleTV é uma excelente ideia mal executada na sua forma actual. O preço de entrada é elevado (acredito que dentro de um ano seja mais acessível) e as funcionalidades demasiado reduzidas.

Tem, inegavelmente duas grandes vantagens: a experiência integrada com o iTunes (que onde funcionar, funcionará efectivamente muito bem) e a facilidade na sua utilização será um plus.

É possível que esta primeira versão seja apenas uma alavanca para entrar no mercado da sala e para dar um empurrão à venda de videos no iTunes. Mais uma vez, a analogia com o iPod não funciona, pois neste caso o iTunes surgiu como “acessório” para facilitar as vendas de iPods.

Tenho dito e agora vou de fim-de-semana para Londres.

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