Asteroid e a armadilha do canário

Há uns anos atrás começaram a sair rumores de que a Apple estava a preparar um software com o nome de código de Asteroid (nem me lembro do que era). Lembro-me sim de que a Apple iniciou procedimentos judiciais contra os sites Powerpage, Appleinsider e Thinksecret para que fossem obrigados a revelar as suas fontes.

Felizmente – digo eu – a Apple perdeu e teve de pagar 700 mil dólares pelos custos sofridos pelas outras partes com o litígio. Lamento, mas não tenho pena.

Uma das teorias relacionadas com esta história prende-se com o tradicional secretismo dentro da Apple, o qual terá chegado ao ponto de a cúpula directiva inventar produtos que comunicava a alguns departamentos a ver quem “cantava” a história para os sites de rumores. Ou seja, para ver quem era o canário que caía na armadilha.

Jason O’Grady do Apple Core tem uma ideia diferente:

“I have a slightly different take on the situation. I highly doubt that Apple would go as far as to fabricate products in order to flesh out leaks. It takes far too much effort which could be better used in creating actual products. In the Asteroid case this would mean that Apple lied to the courts. In their court filings Apple claimed that they suffered loses as a result of the Asteroid leaks that were published and that they were damaged because competitors were given early notice about an unannounced product. I don’t think that Apple would go to the effort of making up a product and lying to the courts, it’s just not in their best interest.”

Só tenho a dizer que O’Grady demonstra um total desconhecimento da profissão forense. Aliás, mais do que desconhecimento, demonstra ingenuidade. Não seria a primeira – nem a última – vez que uma empresa mentia em tribunal para proteger os seus interesses, fosse a conselho do seu advogado, fosse a total arrepio deste.

Nem mesmo o argumento de que daria demasiado trabalho à Apple. É que quem prepara faz o trabalho de sapa no tribunal – incluindo desenhar estratégias, preparar defesa e escrever peças processuais – são os advogados, nunca os engenheiros. Ou seja, os responsáveis cujo trabalho é desenhar novos produtos não tinham de perder tempo com grande coisa. Criavam o bluff, soltavam-no e quando o assunto estoirasse, passavam a pasta aos advogados. Raios até pode ter sido originalmente a ideia de um produto que a meio do caminho se tornou em mero ardil.

Ainda para mais sendo o secretismo fundamental para o modelo de negócio da Apple. Não só fez sentido terem inventado o Asteroid, como foi uma excelente maneira de voltar a meter as tropas na linha.

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