Arquivo de Março 2007

Papers em versão Preview 3

Março 29, 2007

Está já disponível uma nova versão do Papers.

Como novidades temos (além dos habituais bug fixes):

  • Much better inspectors.
  • iPhoto-like fullscreen reading mode.
  • Revamped Authors and Journals section.
  • Estou a gostar tanto do programa e tenho tanta confiança no seu desenvolvimento que já o comprei.

    São só 19 euros, mais IVA. Atenção que eles cobram o IVA do país de destino. Indicando a minha morada de Barcelona poupei 90 cêntimos. Quando for lançada a versão final o preço subirá para 29 euros.

    Entretanto o Infinite Loop publicou a sua mini review do papers. O que me faz lembrar a minha promessa de também preparar uma.

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    Por que faz sentido uma interface 3D para o Leopard

    Março 28, 2007

    A onda dos rumores não para, mas este – confesso – tem bastante lógica.

    O Infinite Loop, citando Huibert Aalbers acha que uma das secret features do Leopard poderá ser uma nova interface 3D, o que, a meu ver, faz muito sentido.

    Em termos comparativos, desde que vi o Beryl em acção que estou convencido do caminho a seguir no que toca a GUI de computadores. Nunca mais olhei para um ambiente Aqua da mesma maneira.

    Fiquei especialmente espantado por ver a primeira interface 3D bem feita aparecer em Linux (onde até ao momento sempre tinha achado as GUI sensaboronas e pouco interessantes) e não num Mac. Afinal de contas, a GUI dos Mac tem sido ao longo dos últimos 20 anos o standard que os restantes fabricantes de software (hint, MS) tentam acompanhar.

    Comparando actualmente a interface Aqua com o Beryl, a primeira parece parada e antiquada. E uma nova interface no OS X faria milagres para captar o “wow factor”, deixando a GUI do Vista imediatamente obsoleta. Ou seja, no que toca ao ambiente gráfico, voltaria o OS X voltaria a cavar um fosso em relação ao sistema operativo mais moderno da MS.

    Uma nova GUI explicaria duas coisas: o aparecimento do Core Animation e a aparente ausência de melhorias significativas no Finder (que levou à criação do acrónimo FFTF, ou “fix the fucking the finder”).

    Por outro lado, sendo uma melhoria essencialmente gráfica – a não ser que a sua implementação implique uma verdadeira alteração de paradigma – a mesma não tem de ser comunicada com grande antecedência aos developers de aplicações, pois tais efeitos serão transparentes para os programas.

    Caso contrário, poderá haver problemas com muitas aplicações se o efeito não for meramente visual e tiver implicações na relação do sistema operativo com os programas, pois não será dado grande tempo para adaptações.

    Por fim, encaixaria bastante bem com o conceito de resolution independence (sem direito a acrónimo, mas quase). E se calhar está aqui a chave para os developers: preparem as vossas aplicações para resolution independence e aproveitem o Core Animation que o OS X trata do resto.

    De qualquer forma, o “wow factor” de uma interface 3D será sempre inferior ao que seria se o Beryl não existisse.

    Por falar em “wow factor”, com tanto rumor especulativo, não tarda nada a montanha Leopard estará a parir um rato (como eu me senti quando foi apresentado o Tiger: É tudo?). Penso eu de que.

    EDIT: Em sentido contrário, o Graceful Flavor.

    Jogos: Open Transport Tycoon para Mac

    Março 27, 2007

    Actualmente o meu tempo para jogar é muito, muito curto. A paciência também não é muita. Se há crítica que posso apontar aos jogos mais recentes é serem demasiado complexos para quem tem pouco tempo para entrar neles. Mais dia menos dia lá terei de comprar uma consola.

    Por enquanto vou desperdiçando períodos de 5-10 minutos nuns joguinhos de Sensible World of Soccer (versão amiga, via emulador para PC) e principalmente de Open Transport Tycoon (openttd) no Mac.

    O openttd não é mais que uma reconstrução opensource do Chris Sawyer’s Transport Tycoon Deluxe (TTD) de 1995. Necessitando apenas dos gráficos do jogo original, o opentdd resolve muitos dos problemas da versão antiga e adiciona muitas novas features.

    O TTD é, para mim, um dos grandes clássicos jogos de tycoon, a par do Railroad Tycoon de Sid Meyer. Ao contrário de jogos do tema mais recentes que usam e abusam de cenários (o que me irrita profundamente) estes dois são essencialmente jogos abertos em que o jogador desenvolve a sua rede sem estar agrilhoado a ter de cumprir com as condições de vitória/evolução definidas pelo programador.

    Num jogo destes eu quero é ganhar rios de dinheiro, não ter de levar 10 cargas de milho da estação X à estação Y até 1920. Quero é utilizar TGVs, Concordes e Jumbos em cada jogo e não ter de fazer 10 cenários antes das unidades serem “desbloqueadas”.

    Bom, chega de bater nos jogos tycoon actuais e voltemos ao openttd.

    Alguns novos gráficos, novos sets de veículos, novos aeroportos, linhas de comboio electrificadas, novas paragens de autocarro “drive through”, nova sinalização para comboios ou um novo pathfinder para que os veículos não se percam tanto são algumas das novidades.

    Para não falar na opção multiplayer que permite jogos verdadeiramente com verdadeira competição, pois a AI do computador continua a ser a mesma miséria de 1995. Com a multiplicidade de versões, diferentes patches e nightly builds, pode ser difícil encontrar alguém com a mesmíssima versão para permitir um jogo online. Nada que não se resolva falando entre as pessoas que querem jogar.

    Já vai na versão 0.5.1 (perfeitamente estável num MBP C2D) e as nightly builds têm ainda mais novidades.

    Mas o melhor mesmo é a comunidade dinâmica que se juntou à volta do openttd. Wiki e foruns são um excelente manancial de informação para quem quiser (re)entrar no mundo do transport tycoon.

    Deixo aqui e aqui links para screenshots.

    Review do AppleTV no Anandtech

    Março 26, 2007

    O Anandtech já efectuou a sua review ao AppleTV, merecendo bem uma leitura atenta (como quase todos os artigos do Anand Shimpi).

    Destaco os seguintes parágrafos das conclusões:

    “Then there’s the obvious issue of not being able to play video content encoded in formats other than Apple TV-friendly H.264. While transcoding is always an option, it takes a great deal of time, thus hampering the instant gratification we often seek when trying to watch anything on a TV. So while it’s possible to get just about all of your video content onto Apple TV, it’s not easy to do and for $299 we want something that is.

    Not all content can be synced either; what we want isn’t just a media extender that will play DivX/Xvid content, but what about videos from YouTube? Showing a bunch of people over at your home a hilarious clip on YouTube is the perfect example of what a device like Apple TV should be able to do. To be able to stream all of this content from your computer to your TV, only to have to get up and head back to the computer the moment you want to watch something on YouTube just doesn’t seem the way things should work.

    These aren’t simple requests, we understand, but they are necessary, in our opinion, to build the perfect media extender. Apple TV was a good attempt, but in its current form it doesn’t have the broad appeal that other Apple products have been able to attain. Apple TV does a great job of serving its niche: the loyal iTunes Store customer. Above and beyond that, however, it loses its value.”

    Na mouche. O primeiro e o terceiro reflectem preocupações idênicas às minhas e o segundo vai ainda mais longe. Nunca me tinha lembrado de que seria bastante útil meter os videos do YouTube na televisão. Mas fica a pergunta, se com a compressão aplicada à maioria desses videos eles não são coisa bonita de se ver num monitor de computador, faço ideia do que será numa televisão grande. Ainda assim, a limitação está lá.

    Bottom line: Bom, mas curto.

    AppleTV à venda e os meus comentários

    Março 23, 2007

    O Apple TV está finalmente à venda e alguns clientes nos EUA já os receberam. Pela net já há imagens e videos do mesmo.

    Até ao momento ainda não me havia pronunciado sobre a utilidade ou inutilidade do AppleTV. Aquando da sua introdução em Setembro do ano passado fiz parte do coro de “ooohs” e “ahhs” que se juntou. A ideia de facilitar a passagem de videos de um PC para a TV, ainda para mais, sem fios, é excelente.

    Hoje, não tenho exactamente a mesma ideia por vários motivos.

    Em primeiro lugar, acho um brinquedo caro. Não para info incluídos, mas para a mole enorme de gente que não tem uma relação fácil com a tecnologia. Se não for possível explicar bem e cabalmente às pessoas as vantagens e como utilizar, está destinado a ter um sucesso limitado. Além do problema preço, neste momento para extrair o máximo do AppleTV, é necessário ter um router Airport Extreme, o qual não é nada barato (não tenho a certeza, mas creio que poderá ser substituído por qualquer outro router 802.11 draft n).

    Em segundo lugar – e quiçá o óbice mais importante – a Apple optou por castrar o tipo de videos que poderão passar no AppleTV. E é neste ponto que falha a analogia com o iPod. É que o iPod (e o iTunes!) democratizou o acesso à música digital permitindo que as pessoas ouvissem a música em MP3 (obtidas legal ou ilegalmente) ou no formato AAC com o DRM Fairplay da própria Apple. Ou seja, o sucesso do iPod deveu-se ao facto de ter abraçado um standard aberto e gratuito.

    Nos videos a Apple seguiu caminho diferente, primeiro com o iPod Video e agora com o Apple TV. Em nenhum dos dois aparelhos é possível visualizar videos em formatos que não os escolhidos pela Apple (H.264 and protected H.264 para ambos, segundo o site da Apple) , sendo que o grande catálogo de filmes que uma pessoa pode ter no seu computador não está codificado nesse formato. Estará em AVI, WMV ou DivX. Ou seja, para poderem ser utilizados, tais filmes teriam de ser recodificados num formato suportado.

    Aliás tentem, por exemplo, rippar um DVD video no iTunes como fazem com um CD de música para o formato MP3. Pois. Impossível.Tentem também adicionar um video nos formatos acima mencionados ao iTunes para aparecer no Front Row sem ser pelo nome do ficheiro. Pois. Impossível.

    E aí está o erro do Apple TV. Ao não permitir a mesma facilidade de utilização do media video como foi permitido em tempos ao media som, o sucesso do iPod não será repetido pelo Apple TV, pelo menos na sua versão actual.

    Por isso também sou um crítico da hipocrisia de Steve Jobs pedir o fim dos DRM para a música quando assentou toda a sua estratégia em circuitos fechados (iPod + iTunes e agora AppleTV + iTunes) e não teve coragem para fazer idêntico pedido no que toca ao video. Porquê? Porque a Apple não controla o mercado de video digital como controla o de música.

    Em terceiro lugar, para quem quiser comprar um TiVo, o AppleTV não servirá de alternativa, pois não permite a gravação de conteúdo vindo da televisão. Mais uma limitação na utilização que pode custar caro.

    Em quarto lugar, como já o Tao of Mac tinha dito, na Europa ainda estamos para ver que filmes e videos podemos comprar. 0 ou pouco mais. Para os europeus o AppleTV só teria efectivamente alguma utilidade se permitisse visualizar facilmente filmes arranjados fora do iTunes. No estado actual, para o mercado europeu é um brinquedo bonito e pouco mais. Portanto, para já o mercado do AppleTV é apenas o americano onde terá de se bater com o TiVo e afins.

    Por fim, uma última crítica ao AppleTV: a inexistência de cabos na caixa. É inqualificável que num hardware destinado para ligar à televisão a Apple não forneça sequer um cabo composto.

    Termino dizendo que o AppleTV é uma excelente ideia mal executada na sua forma actual. O preço de entrada é elevado (acredito que dentro de um ano seja mais acessível) e as funcionalidades demasiado reduzidas.

    Tem, inegavelmente duas grandes vantagens: a experiência integrada com o iTunes (que onde funcionar, funcionará efectivamente muito bem) e a facilidade na sua utilização será um plus.

    É possível que esta primeira versão seja apenas uma alavanca para entrar no mercado da sala e para dar um empurrão à venda de videos no iTunes. Mais uma vez, a analogia com o iPod não funciona, pois neste caso o iTunes surgiu como “acessório” para facilitar as vendas de iPods.

    Tenho dito e agora vou de fim-de-semana para Londres.

    Read my lips: Não haverá Leopard em Março ou meados de Abril

    Março 21, 2007

    Até agora era apenas o meu bom senso. Hoje obtive informação fidedigna que confirma as minhas suspeitas.

    Pelos motivos que me foram explicados é certo e seguro que não haverá Leopard em Março ou meados de Abril. A janela de lançamento continua a ser a que sempre foi: Primavera. Em linguagem de empresas de tecnologia é sempre o último mês do trimestre referido. Junho, portanto.

    Este foi o meu último post relativo ao lançamento do Leopard.

    Edit:  Neste mesmo sentido o Infinite Loop. Embora as nossas fontes sejam distintas a informação é totalmente coerente.

    Quais os motivos que fazem as aplicações para OSX serem tão…boas?

    Março 21, 2007

    Já várias vezes me tinha questionado sobre este facto. No que toca a aplicações, por que motivo gosto tanto da generalidade das escritas em cocoa e não me entendo com aquelas que são idênticas em Windows e OSX?

    Bom, já tenho resposta: diferentes prioridades. Na generalidade das aplicações para Windows, as mesmas são pensadas para mostrarem todas as suas capacidades. E quanto mais capacidade tiverem, melhor (alegadamente). Rapidamente se chega à conclusão que o termo “bloatware” está bem cunhado. Tanta função numa aplicação só gera confusão.

    Na maioria das vezes,  as aplicações que são portadas de Windows para OSX sofrem desse mal que é replicarem o bom e o mau da versão Windows. Isto é, trata-se de desenhos criados para Windows levados para um ambiente em que a lógica subjacente ao sistema é distinta.

    E a chave desta embirração com aplicações portadas é paradoxalmente simples: lógica, simplicidade e atractividade. Em OSX na maioria das vezes “less is more” e não interessa ter tudo e mais alguma coisa enfiada na aplicação.

    Isso explica por que gosto tanto do Adium ou do Omnioutliner e detesto o MSN Messenger para mac ou qualquer outliner em Windows. Porque me sinto “em casa” com a lógica das aplicações desenvolvidas de raíz para mac. Já com as aplicações para windows, sinto-me um peixe fora de água. Barras, botões, dropdown menus cheios de opções dão-me cabo da cabeça.

    Regra geral prefiro uma aplicação pequena, bem desenhada e que desempenhe muito bem uma função específica, ao invés de uma aplicação grande, pesada, cheia de remendos e que faz mais ou menos uma barragem de funções.

    Resumindo a coisa: “Mac users will generally favor an app with a better experience over the one with more features.”

    Bingo.