O buraco no lineup de desktops da Apple

Desde há algum tempo, a Apple tem a sua linha de desktops divida em três gamas: macmini (gama baixa), imac (gama média) e powermac/macpro (gama alta).

Aparentemente tem soluções para cobrir todos os segmentos importantes do mercado. Ou será que não?

Se o macmini não apresenta grande contestação como máquina útil para quem quer gastar pouco dinheiro, já o imac e o powermac/macpro são opções discutíveis. Começemos pelo segundo.

Para o macpro a Apple optou por ir pelo caminho mais complicado, mas na realidade o único possível após ter apresentado um powermac em 2005 com 2 processadores dual core. Com a mudança para Intel, apenas os processadores Xeon permitiam-lhe evitar voltar atrás e apresentar uma máquina topo de gama com menos cores que o modelo substituído. E o preço a pagar foi optar por uma solução tecnológica diferente do esperado.

Assim, aos Xeon e à sua motherboard desenhada pela Intel juntaram-se as memórias FBDIMM, as únicas suportadas pelos modelos de dois processadores. E aqui reside um erro que, em boa realidade, pertence à Intel e é semelhante ao caso Rambus no tempo dos Pentium III. Aliás, o problema é idêntico: tecnologia que permite uma maior largura de banda mas com latência muito superior.

O resultado é um computador competente mas mais caro do que poderia ser se a Intel tivesse optado por permitir aos Core 2 Duo funcionar aos pares. Como segmentou esse mercado para os Xeon, encostou a Apple às cordas.

Mas este é um problema menor, pois historicamente, a linha pro da Apple sempre foi bastante cara, mantendo-se o modelo de entrada *relativamente* acessível.

Voltando agora ao primeiro.

O imac original foi uma solução para a gama baixa da Apple em tempos difíceis. Com o tempo teve direito a subir na cadeia alimentar (como a Volkswagen fez com o Polo e o Golf. A geração actual do primeiro tem as dimensões da primeira versão do segundo).

O que se estranha é que, após o switch, se mantenha a aposta num cavalo diferente do habitual no mercado de PCs. A grande maioria dos PCs vendidos são-no sem ter o monitor integrado. Podem até ser vendidos com monitor, mas não está o mesmo integrado na máquina como no caso do imac. Se esta estratégia fazia sentido no tempo dos processadores PowerPC – quanto mais não fosse para acentuar a diferença entre um mac de secretária e um corriqueiro PC – hoje em dia essa opção parece-me errada.

Mais, penso que apenas faz sentido do ponto de vista do custo económico directo de desenvolvimento e produção das máquinas. Afinal os imac partilham quase todo o interior com o macmini/macbook (no caso do modelo mais fraco) ou com os macbook pro (no caso dos restantes). Ao ponto de utilizarem chipsets e processadores destinados ao mercado de portáteis e não a sua versão para desktop.

Como disse, é uma opção do lado do custo aceitável. Quanto menor for o número de diferenças entre cada modelo, melhor para os preços das peças e as despesas associadas como I&D ou engenharia.

Mas do outro lado da barricada estão todos os PCs que são vendidos sem monitor acoplado, com processadores Core 2 Duo versão desktop e memórias em DIMM normais.

E contra esses, do prisma de hardware, a Apple não tem o melhor equipamente. Sobra-lhe a vantagem do software para tapar este buraco no seu lineup. Quem não quiser que se reduza à opção de comprar um PC normal.

Mais, ao fim de um ano de aparecerem os primeiros macs com processadores Intel fica mais claro o que alguns analistas disseram na altura: o mac (especialmente o desktop) deixou de ser o centro da Apple.

Assim se compreende a mudança de nome de Apple Computer, para apenas Apple, o AppleTV e, especialmente, o iPhone.

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One Comment em “O buraco no lineup de desktops da Apple”


  1. Excelente Post… aacertaste em quase 1000% das ideias que tenho da Apple do momento… Faltou apenas indicar uma coisa. A opção pelo lançamento de um desktop headless e com tecnologia core2duo+dimms “corriqueiros” teria uma quebra na performance negligênciavel face ao mac pro com xeons e FBdimms…Ou seja… a canibalização seria brutal! e tornaria o macpro um modelo incomportável.


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